Coruja-buraqueira em voo frontal, com as asas abertas e o olhar fixo

Athene cunicularia · Strigidae

Coruja-buraqueira

A única coruja que vive no chão — diurna, de olhos âmbar, e que encara de volta.

Desça até a toca

Ficha de campo

Comprimento
19–26 cm
Peso
147–240 g
Postura
6–11 ovos
Incubação
28–30 dias
Ordem
Strigiformes
Ocorrência
Canadá → T. do Fogo

Identificação

A coruja mais conhecida do campo brasileiro

Pequena, de pernas longas e cabeça redonda sem penachos, com sobrancelhas claras sobre a íris amarela intensa — um olhar inconfundível.

A plumagem é marrom cor-de-terra, com o ventre creme estriado — uma camuflagem perfeita para o solo onde vive. O bico é amarelo-marfim e as patas pálidas. É a coruja mais conhecida e abundante do Brasil, também chamada de caburé-do-campo, coruja-do-campo ou coruja-mineira.

Possui muitas subespécies pelas Américas; no Brasil predominam a A. c. grallaria, do leste, e a A. c. cunicularia, do sul.

íris amarelasem penachos marrom cor-de-terraventre creme

Não confunda: “coruja-de-óculos” é o nome popular de outra ave, o murucututu (Pulsatrix perspicillata) — uma coruja grande de floresta, espécie distinta da buraqueira.

Distribuição & habitat

De um extremo a outro das Américas

Vai do sul do Canadá até a Terra do Fogo e ocorre em praticamente todo o Brasil — falta apenas onde a floresta é densa demais.

Prefere o aberto: campos naturais, cerrado, pastagens, restingas de praia, gramados e até terrenos baldios dentro das cidades. Essa flexibilidade explica por que ela convive tão de perto com gente, pousada em mourões de cerca, postes e fios.

campos & cerradorestinga pastagensáreas urbanas

Alimentação

Caçadora generalista e oportunista

Carnívoro-insetívora, captura sempre a presa mais abundante da estação — por isso seu cardápio muda ao longo do ano.

Entre os invertebrados estão besouros, gafanhotos e grilos, moscas, abelhas, vespas e formigas, além de aranhas e escorpiões. Entre os vertebrados, há forte preferência por roedores, mas também caça pequenos répteis, anfíbios, morcegos e aves miúdas.

Como toda coruja, regurgita as partes não digeríveis em egagrópilas — pelotas de ossos, pelos e exoesqueletos que pesquisadores usam para reconstruir a dieta toca a toca.

Hábitos

Uma vida embaixo da terra

Ao contrário da maioria das corujas, é diurna e crepuscular — embora também cace à noite. E é terrícola: faz tudo a partir do solo.

Cava o próprio buraco ou readapta tocas abandonadas de tatu, abrindo túneis de até 2 metros que terminam em uma câmara forrada com capim seco, folhas e restos de pelotas. É de lá que vigia o território, empoleirando-se em montes de terra e cercas próximas.

A voz é um “tchiiér” rouco e descendente, às vezes seguido de uma sequência de “kit-kit-kit” curtos e agudos.

diurna & crepuscularterrícola túneis até 2 mreaproveita tocas de tatu

Reprodução

No fundo da toca, o ninho

A estação reprodutiva começa entre março e abril. Os casais costumam ser monógamos — raramente um macho mantém duas fêmeas.

A postura vai de 6 a 11 ovos. A fêmea cuida da incubação por 28 a 30 dias, enquanto o macho leva alimento ao ninho. Em muitos lugares, o mesmo buraco é reaproveitado por vários anos seguidos.

Conservação: a maior ameaça é a destruição das tocas — desde veículos que soterram ninhos na restinga até buracos fechados por lixo nas cidades. Observar sem perturbar o solo ao redor faz diferença.